Hoje o aborto e seu debate soam como condenados ao emocionalismo, a hipocrisia e a falta de respeito ao direito do outro, a igreja e os moralistas agarram-se em argumentos a favor da vida do feto independente da vida e saúde da mulher que o está gestando. Os defensores do aborto, seja ele limitado ou ilimitado, defendem que o nascituro não pode ter mais direito que a própria gestante e o direito ao próprio corpo são retomados contundentemente. A esta polêmica se junta à medicina, a bioética, a filosofia, embaraçados pela dificuldade de definir preciso instante em que ocorre o nascimento de um novo individuo, assim como se realmente esta é a discussão mais importante acerca do assunto. Nesse liame ocorre a fragmentação do corpo feminino, onde o útero tem sido objeto de fala de instituições religiosas e legislativas, é tratado como parte autônoma e não integrante de um todo chamado de corpo feminino. Sobre o útero e a fecundação as religiões aplicam seus conceitos, o Estado legisla, e d...
Para entendermos o objeto deste trabalho, o aborto, primeiro é necessário que entendamos a vida, contudo conceituá-la é difícil, exemplo disso é as dezoito tentativas do Dicionário Aurélio. Por mais de dois mil anos, essa definição é motivo de discussão e reflexão, não só para os filósofos, mas também entre alunos em salas de aula de Haward, até o bar com os amigos. A discussão aflora desde a temática simplista de como cada um vive, para discussões biológicas, ética biomédica, até o ápice quando chega ao aspecto religioso. Nosso principal objetivo não é demonstrar o que é certo ou errado, mas principalmente demonstrar a necessidade da discussão sobre matéria tão contraditória e polêmica, e principalmente a necessidade de lei permissiva que respeite a integridade e a inteligência das mulheres que querem ter o direito ou não de continuar uma gestação anencéfala. Ao lado da discussão da vida, sempre vem à discussão sobre a morte, nesta discussão é dito sobre a própria vida após a morte, ...
Muitos paises adotam leis permissivas quanto ao aborto, principalmente as nações mais ricas e com alto índice de desenvolvimento humano, com liberação total ou parcial frente ao aborto. A permissividade quanto ao aborto não pode ser leviana a ponto de descartar uma vida em potencial de forma irrestrita, primeiro pelo fato de que nossa sociedade por toda a sua perspectiva moral e religiosa não o aprovaria, e segundo por não haver uma estrutura capaz de manter tal lei vigente, pois se a lei tem a finalidade ecumênica, o Estado deve disponibilizar o apoio médico e psicológico para aqueles que não detem recursos para fazê-lo em clinicas particulares, fato que hoje ocorre ilegalmente em clínicas que usam outras atividades como fachada para tal atividade, como clínicas de estética e assemelhadas. Hoje, as mulheres que não possuem recursos e praticam o aborto ilegalmente, de formas agressivas a saúde, qual resultam em hemorragias, perfurações uterinas e até mesmo septicemia, infecção ge...
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